Blues
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Sex, 27 de Março de 2009 22:47

Algodão e Melancolia

Começa pela tradução da palavra. “Blues” quer dizer melancolia no jeito peculiar de falar dos habitantes do delta do rio Mississipi, berço do ritmo. E melancólicas são as raízes do blues. Ele começou a surgir em agosto de 1619, quando o primeiro navio negreiro atraca na costa-americana. Nos porões, negros arrancados à força da África para o trabalho forçado em lavouras de algodão, tabaco e milho nas cercanias de New Orleans, nos estados de Alabama, Mississipi, Lousiana e Georgia.

No espírito dos desafortunados escravos, uma profunda saudade do que ficou para trás e uma rica cultura folclórica amordaçada. Mas a musicalidade latente dos africanos não tardaria a se manifestar. Aos poucos, surgem as “work songs”, verdadeiros lamentos melódicos, entoados pelos negros na árdua tarefa de plantar e colher os produtos da terra. Enquanto uma voz entoava um verso, os outros trabalhadores faziam o coro.

No início, nas línguas nativas: fon, bantu e yorubá; com o passar do tempo, uma mescla de palavras de dialetos africanos e inglês, incorporado na convivência com os fazendeiros da região. Tudo a capela, de uma froma primitiva mas não menos visceral, sentimental e sempre rítmica. É a primeira manifestação musical dos negros na América que começavam a erguer com o sacrifício da liberdade perdida em pontos diferentes da África. A Guerra da Secessão, vencida pelo norte, representa a liberdade para os negros escravos do sul em 1865.

Nessa época, em New Orleans havia cinco negros para cada quatro brancos. Muitos desses negros são netos e bisnetos dos pioneiros escravos. Os recém libertos também cantam e tocam, com a diferença de pelo menos um século de assimilação da cultura branca. Começa a surgir assim a figura do blueseiro, ainda com um banjo em lugar da guitarra. Como o blues é uma música vocal por natureza, em sua versão instrumental o ritmo exige instrumentos de habilidade vocal, capazes de “imitar” a voz humana. E nada melhor para se obter este efeito do que a técnica de “knife-song”, de deslizar sobre as cordas do violão uma placa metálica para se obter um som lamurioso, que mais parece um gemido humano.

Assim a guitarra acústica desbanca o banjo e passa a frequentar os braços, mãos & dedos dos blueseiros. Instrumentos de percussão de origem africana como o djambè e harmônica, com sua versatilidade, complementam o kit básico do blues primordial, que não dispensa a interpretação, o sentimento absoluto no cantar.

A esta altura as canções já não são apenas lamentos, mas também bravatas, histórias de rixas terminadas com filetes de sangue manchando de vermelho as lâminas de navalhas, de mulheres conquistadas, de corações despedeçados. Agora o inglês prepondera sobre os dialetos africanos nas letras e o blues já é uma música americana, feita por negros e cada vez mais amada pelos brancos. Chega o rádio, o gramofone, o show-business. Surgem cantoras como Bessie Smith e guitarristas blueseiros como Ottis Redding. E isso tudo é só o começo de uma longa história regada a paixão pela música e litros e mais litros de Jack Daniels. (Cristiano Gobbi)

 
Escrito por Administrator   
Sex, 27 de Março de 2009 22:46

Gênero da música popular norte-americana criado por escravos negros que trabalhavam nas plantações do sul dos Estados Unidos (EUA) em meados do século XIX. Caracteriza-se pela improvisação musical, pelo modo incomum de seleção das notas musicais (é tocado no semitom, chamado blue mode) e pelo uso das inflexões menores que o intervalo de um semitom, conhecidas como blue notes, recurso típico da música africana e que dá ao gênero um caráter melancólico e intenso. Enquanto trabalhavam, escravos e ex-escravos cantavam canções sobre o trabalho, com letras repletas de ironia sobre a terra, a vida e os amores diários. O blues ajudava a aliviar as tensões do dia-a-dia. 

O blues nasce como gênero musical simples, acessível a instrumentistas e cantores sem conhecimento formal de música. No fim do século XIX, com o término da escravidão, os cantores de blues são itinerantes que acompanhavam a si mesmos no violão. Freqüentemente eram gravados por talentosos pré-empresários. Genuína música folk americana, o blues tem seu desenvolvimento completo depois de 1900. Possibilita o nascimento do jazz no começo do século XX e exerce grande influência em toda a música pop. 

O primeiro blues, Crazy Blues, é gravado em 1920 por Mammie Smith. Outras gravações pioneiras são feitas por Leadbelly (1889-1949), Robert Johnson (?-1938), Blind Lemon Jefferson (1897-1929) e Jelly Roll Morton (1890-1941). Também se destacam nomes como Charley Patton (1887-1934), Son House (1902-?), Bukka White (1906-1977) e Tommy Johnson (1896-1956). Muitos deles, décadas depois de mortos, influenciaram decisivamente a música pop do pós-guerra graças aos discos que deixaram gravados. 

A I Guerra Mundial, a crise de 1929 e a migração dos negros ajudam a propagar o blues. No começo dos anos 30, a banda de Count Basie e outros artistas de Kansas City introduzem fortes elementos de blues nas big bands de jazz, na "swing era". Isso permitiu que o bop ganhasse acentuadas características de blues. Estimulado pela nascente indústria fonográfica, ele floresce em Chicago, Atlanta, Mississippi e Detroit, e passa a tratar de temas urbanos. Os race records, discos produzidos para a comunidade negra, popularizam Bessie Smith (1894-1937), Ma Rainey (1886-1939) e Billie Holiday (1915-1959). 

Em 1940, o boogie woogie blues instrumental tocado no piano – faz do gênero uma música dançante, representada por pianistas e compositores como Memphis Slim e Rooselvelt Sykes. Guitarristas-cantores e compositores como John Lee Hooker e Lightnin’ Hopkins ganham importância. Ainda no início dos anos 40, desenvolve-se informalmente um novo gênero do blues – o rhythm’n’blues, de ritmo mais forte e dançante, precursor do rock’n’roll dos anos 50. Esse blues urbano utiliza microfones e guitarras elétricas para ser ouvido nos barulhentos bares noturnos. Chicago é um dos maiores centros do gênero, com nomes como Muddy Waters, Willie Dixon, Little Walter, Otis Rush, Howlin’ Wolf e Otis Spann, todos inspirados pelos músicos da década de 20. 

No princípio dos anos 50, músicos brancos como Paul Batterfield, John Kerner, John Hammond e Dave Van Ronk ganham destaque. B.B. King, que começara a se apresentar nos anos 40 numa emissora de rádio de Memphis, torna-se um dos expoentes da época, assim como Albert King e Freddie King. Depois de assimilado pelos primeiros roqueiros, o blues americano apresenta mais uma geração de músicos, como Junior Wells, Buddy Guy, Jimmy Dawkins e Hound Dog Taylor. 

Na década de 60, a nova geração de cantores e bandas de rock tomam o rhythm’n’blues como influência maior. Na Inglaterra surgem nomes importantes como Rolling Stones e John Mayall e sua banda BluesBreakers. 

No começo dos anos 70, o blues é retrabalhado por grupos de Heavy Metal. Em contrapartida, nos anos 80, o texano Albert Collins, a cantora Koko Taylor, Johnny Copeland e Robert Cray apresentam-se como resgatadores do gênero. Entre os cantores brancos, os principais são Johnny Winter, Roy Buchanan e Steve Ray Vaughan. 

Blues no Brasil – As bandas de rock dos anos 60 absorvem o blues por intermédio do rhythm’n’blues. Destacam-se grupos como Made in Brazil, Joelho de Porco, O Terço e Os Mutantes, além de Raul Seixas. O Brasil não se caracteriza por um forte cenário ou movimento de blues, apesar de o gênero ter um grande público. Dos anos 80 até 1999, os maiores nomes são Nuno Mindelis, André Christovam, Celso Blues Boy e as bandas Blues Etílicos e Big Allanbik.

 

 

 


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